Arquivo da categoria ‘Jogos Olímpicos’

Diferente x Deficiente

Setembro 19, 2008

Diferente, deficiente, defeituoso e incapaz.

Incapaz, é aquele impossibilitado de realizar algo. Uma pessoa pode não ser deficiente física e ser incapaz. Assim como a recíproca também se faz verdadeira.

Defeituoso pode adquirir dois significados. Pode se referir algo ou alguém imperfeito ou ainda deformado. Basta se lembrar de que, por maiores que sejam os esforços de cada um, nunca será perfeito, automaticamente pode-se atribuir este significado a todos nós. Porém, ao utilizar este adjetivo com base na segunda definição, “deformado”, para se referir a uma pessoa é preciso ter um cuidado para não se manifestar de forma preconceituosa.

Diferente, todos nós somos, pois é um adjetivo o qual se refere a alguém com características distintas, ou seja, que não é igual a outra pessoa.

Deficiente, por sua vez também pode adquirir dois significados. Assim como defeituoso, pode se referir a alguém imperfeito, ou ainda, a alguém com incapacidade física.

Ao se referir a algum deficiente físico não pense nesta pessoa como alguém imperfeito ou incapaz. Ela pode ser diferente, de você e, ainda assim, ser capaz de realizar algo do qual você seja incapaz e, se colocar em um patamar mais próximo a perfeição em relação ao seu. Ela pode ser e fazer quase tudo. Só depende de suas respectivas pretensões e esforços. Assim como você!

Parabéns aos atletas para-olímpicos brasileiros pela brilhante campanha neste Jogos de Pequim!

 

Lucas “Bolt” Prado

Setembro 9, 2008

           Se alguma vez alguém já tentou andar com os olhos fechados sabe a dificuldade que é dominar todo o espaço ao redor e ainda ter confiança para se deslocar para um lugar que, provavelmente é aonde imagina. Para esta pessoa correr sobre as mesmas condições seria um desafio a mais. Por isso mesmo há quem diga que este é um ato um tanto quanto impossível! Bom, provalvemente, o brasileiro Lucas “Bolt” Prado desconhece esta dificuldade vista por alguns. Lucas é mais um atleta de destaque internacional. Assim como o fenômeno Usain Bolt venceu a prova dos 100m rasos e é o mais novo medalista olímpico do país! Assim como Bolt, Phelps e Cielo quebrou o recorde mundial (o qual já detinha) vezes seguidas! É um recordista e campão olímpico! E, assim como os atletas do Tiro e da Luta Greco-romana, parece não ter nome no cenário nacional.

O que muita gente não sabe é que Lucas não é Bolt, é apenas Lucas Prado e Prado é do Brasil! Foi ouro no Para-pan e novamente é ouro, desta vez nos Jogos Para-olímpicos! Isto mesmo! É ouro e é mais um atleta para-olímpico que tem seu brilho ofuscado por uma vitória dentre muitas decepções da seleção de Dunga. É atleta do atletismo e disputa a prova dos 100m rasos na categoria T11 para deficientes visuais.

Pois é, Lucas não precisou olhar diretamente para os obstáculos a sua frente para visualisá-los e se tornar um recordista e um campeão. Mas será que, como aconteceu com Bolt, estes seus resultados lhe renderam alguns milhões, lhe trarão investimentos e o tornarão alvo da organização de eventos em todo o mundo?

Da mesma forma que Prado e, curiosamente na mesma prova, na categoria feminina, Terezinha Guilhermino e Adria Santos conquistaram a prata e o bronze, respectivamente. Na natação, André Brasil (nos 100 m borboleta da classe S10) e Daniel Dias (50m costas da classe B5 e 200 m livre da categoria S5) foram os responsáveis pelos três primeiros ouros e também por récordes em suas respectivas provas e, Antônio Tenório, ouro no judô categoria até 100Kg.

A medalha de Prado foi apenas o quinto ouro brasileiro nesta Paraolimpíada (todos, a qual ainda nos promete mais bons resultados. Fato possível de ser vislumbrado e comprovado! Haja visto que, na última Paraolimpíada, o Brasil participou com 99 atletas e conquistou 14 ouros, 12 pratas e 7 bronzes e, desta vez, a delegação saltou de para 188. Curiosamente, estou procurando há algumas horas o quadro de medalhas para-olímpico pela internet, mas não o encontro. Será que algum profissional responsável e com acesso a estes resultados já teve a atenção de fazer e mantê-lo atualizado? Para terem uma idéia, enquanto escrevia este artigo, faturamos mais duas medalhas inéditas. Ouro e bronze na Bocha. Dirceu Pinto “simplesmente” bateu o número um do mundo da categoria BC4, Yuk Leung (o qual ficou com a prata) seguido do brasileiro Eliseu Santos (medalha de bronze).

 Portanto, o que me pergunto, meus caros leitores, é se estes resultados merecem ser ofuscados pelo medíocre futebol da “Era Dunga”? Aonde estão os investidores e toda a mídia famintos de divulgação e de resultados? Aonde está a responsabilidade social e cultural da imprensa em divulgar estes resultados? Infelizmente, parece que a vergonha que já faltava durante a primeira parte destes Jogos (a transmitida pela imprensa) está prestes a deixar de existir no cenário esportivo nacional!

Vergonha na China..ops, na cara!

Agosto 28, 2008

Alguém já parou para se perguntar por onde andou a vergonha nestes Jogos Olímpicos? Pois, então, é bom que saibam que esteve em falta! Aonde? Bom, faltou vergonha quando a organização do evento buscou uma dublê, pois não encontrara, dentre a imensa população chinesa, alguma criança que chamasse a atenção por saber cantar com inocência e encantar pela sua voz, e não pela sua beleza! Faltou vergonha porque o festival de abertura não pôde ser transmitido por completo ao vivo, foram precisas algumas tomadas gravadas. Criativo isto? Será? Será que teria faltou ou teria sobrado criatividade?

Bom, quanto este quesito não se pode questionar a organização do evento. Não se esqueçam de que inventaram um carrinho para substituir os tubos que costumam transportar as varas utilizadas nas provas de salto com vara. Talvez o carrinho só estivesse pequeno, pois não coube as 10 varas da atleta brasileira Fabiana Mürer. Solução? Simples, é só uma vara geente! Ainda sobrariam 9, então vamos tirar no palitinho e, a atleta que não der sorte, fica sem uma vara; fica procurando… fica nervosa… fica sem chances e lógico, fica sem medalha! Ah, e depois, basta afirmarmos que a culpa foi da atleta porque não conferiu seu equipamento, ainda que estivesse sobre a res, aliás sobre a irresponsabilidade da “Organização”do Evento. Com a prova terminada, os resultados lançados e o recorde mundial batido, não haverá COB, COI ou CBAt (Confederação Brasileira de Atletismo) que tenha vergonha, ou coragem de ousar usar seu poder para tentar cancelar a prova. Até porque os brasileiros já estão acostumados a serem sabotados no atletismo. Não se lembram de como tiveram que se sujeitar a perder o ouro na Maratona Olímpica de 2004? Tudo por uma “falha” da segurança e pela “participação” de um irlandês.

Mas vamos mudar de assunto, afinal, bater nesta tecla, não adiantaria mesmo! Vamos falar de vergonha nos recordes. Faltou vergonha a todos os países que naturalizaram “semi-deuses” para que se passassem por humanos e, assim, brincar de competir em seu nome. E para quebrarem recordes atrás de recordes, sem o mínimo de respeito à qualquer marca e/ou competidor existente. Foi assim com Phelps, com Usain Bolt e com Isinbayeva. Quanta falta de educação, hein, atletas?! Não bateram, nem superaram, mas humilharam qualquer limite conhecido até então pelo ser humano. E este “desrepeito” chega a deixar muitas pessoas em dúvida sobre a possibilidade destes atletas fazerem uso de substâncias não autorizadas

E por falar em educação e vergonha… Se lembram do atleta sueco? O que se desfez e desmereceu a sua medalha de bronze? Pois éé.. Faltou vergonha e humildade! Também faltou vergonha a imprensa e a equipe de futebol masculino por idolatrarem um futebol medíocre e pouco convincente que já se repete há um tempo. Também, não é por menos, de uma equipe que foi mal convocada, mal treinada, mal escalada e mal posicionada, o que se pode esperar? É como imaginar um jogo de xadrez com apenas peões e bispos, e ainda se deslocando de forma incoerente e irregular no tabuleiro. Mas, também, sejamos justos, não se pode esperar nada de uma equipe em que o técnico nunca foi treinador. Talvez, melhor seria, também, se o Bernardinho cedesse seu cargo ao Giba!

Também faltou vergonha a maior parte da imprensa por ter a coragem de, em meio a uma Olimpíada, não divulgar de forma justa todas as modalidades que disputamos. Por acaso alguém sabe dizer o nome de algum mais de um (a) atleta do tênis de mesa, do nado sincronizado ou do tiro? E da luta Greco-romana e do soft-bol? Tem algum(a)? Pois é.. Mas os nomes dos atletas do futebol masculinos colorem programas, jornais e propagandas. Além disso, colocaram em cheque o mérito de atletas por errarem, falharem e/ou por não trazerem uma medalha em suas modalidades. Foi assim na ginástica com Daiane, Diego e Jade, foi assim com Thiago Pereira na natação, no judô e em diversas outras modalidades. Foi e tem sido assim há anos…Será que melhorar a posição nacional e os seus próprios resultados não bastam para demonstrar o progresso de um atleta? Que vergonha!

 Vergonha também pela CBF não perceber que a seleção feminina de futebol, há muito, transmite melhores perspectivas de resultados do que a masculina e, ainda assim, os atletas desta (masculina) receberem salários inquantificáveis, enquanto, no feminino, a realidade é totalmente diferente! O incentivo, a captação de atletas e toda estrutura ainda são falhos.

E por falar em falha…Por onde anda o COB? Poucos sabem, mas a maratonista brasileira nesta olimpíada teve que correr com o uniforme emprestado porque o COB estava muito ocupado com as estrelas e os estrelas do futebol! Tadinha! Além disso, mesmo sabendo das condições de uma das atletas do vôlei de praia, a atleta reserva só foi enviada de última hora; chegou cansada e não conseguiu o que jogar como poderia. Basta lembrar de que no judô a história foi diferente e isso nos trouxe uma medalha.

Pois, bem, meus amigos, lhes direi a verdade. Após pensar tanto, não sei ao certo se, falta ou sobra vergonha. Certo é que, os principais dirigentes do esporte nacional estão longe de poderem se promover a partir de uma medalha de ouro de Cielo ou da honrosa e valiosa prata do futebol feminino. Isto porque criam uma estrutura frágil e que não dá condições para que o atleta seja, simplesmente, atleta. É preciso se apoiar e se dividir em outras funções e profissões para poder manter vivo o sonho de ser vitorioso. Com certeza as falhas e deficiências não são de nossos atletas, pois, dentro de suas limitações e condições fazem o impossível.  Um impossível que não percebo que grande parte dos dirigentes faz pelo esporte. E acho impressionante que não encontrem estas suas vergonhas ao perceber que levaram o país a ficar atrás de “potências do esporte” como Geórgia, Etiópia e Zimbábue em um quadro de medalhas olímpico. Não porque desmereço estes países, mas como países que passam por guerras civis conseguem um feito destes? Está claro, a falta de vergonha destes dirigentes é proporcional a suas respectivas competências. Quem sabe acreditem que trazer os Jogos para o Rio não é tão importante como melhorar os investimentos nos esportes (inclusive nos esportes individuais), ou como investir na educação e na segurança! Ironicamente, em plenos Jogos Olímpicos, realizados em Pequim, chineses foram seqüestrados no Rio. Talvez a discussão sobre o escudo da CBF nas camisas dos atletas de futebol tenham ofuscado os olhos do Governo e do COB com relação a tudo isso! Ou, simplesmente, a “Competência” peculiar a “Organização” destes Jogos seja contagiosa. Ou, quem sabe, contagiosa não seria a nossa?

 

Depois de ler tudo isso provavelmente você está imaginando que este autor é alguém que gosta e não se identifica com os esportes, certo? Bom, errado! Meu nome é Matheus Pinto Gomes, sou Educador Físico e atuo como professor e treinador de Voleibol & Mestre de Taekwondo!