
Alguém já parou para se perguntar por onde andou a vergonha nestes Jogos Olímpicos? Pois, então, é bom que saibam que esteve em falta! Aonde? Bom, faltou vergonha quando a organização do evento buscou uma dublê, pois não encontrara, dentre a imensa população chinesa, alguma criança que chamasse a atenção por saber cantar com inocência e encantar pela sua voz, e não pela sua beleza! Faltou vergonha porque o festival de abertura não pôde ser transmitido por completo ao vivo, foram precisas algumas tomadas gravadas. Criativo isto? Será? Será que teria faltou ou teria sobrado criatividade?
Bom, quanto este quesito não se pode questionar a organização do evento. Não se esqueçam de que inventaram um carrinho para substituir os tubos que costumam transportar as varas utilizadas nas provas de salto com vara. Talvez o carrinho só estivesse pequeno, pois não coube as 10 varas da atleta brasileira Fabiana Mürer. Solução? Simples, é só uma vara geente! Ainda sobrariam 9, então vamos tirar no palitinho e, a atleta que não der sorte, fica sem uma vara; fica procurando… fica nervosa… fica sem chances e lógico, fica sem medalha! Ah, e depois, basta afirmarmos que a culpa foi da atleta porque não conferiu seu equipamento, ainda que estivesse sobre a res, aliás sobre a irresponsabilidade da “Organização”do Evento. Com a prova terminada, os resultados lançados e o recorde mundial batido, não haverá COB, COI ou CBAt (Confederação Brasileira de Atletismo) que tenha vergonha, ou coragem de ousar usar seu poder para tentar cancelar a prova. Até porque os brasileiros já estão acostumados a serem sabotados no atletismo. Não se lembram de como tiveram que se sujeitar a perder o ouro na Maratona Olímpica de 2004? Tudo por uma “falha” da segurança e pela “participação” de um irlandês.
Mas vamos mudar de assunto, afinal, bater nesta tecla, não adiantaria mesmo! Vamos falar de vergonha nos recordes. Faltou vergonha a todos os países que naturalizaram “semi-deuses” para que se passassem por humanos e, assim, brincar de competir em seu nome. E para quebrarem recordes atrás de recordes, sem o mínimo de respeito à qualquer marca e/ou competidor existente. Foi assim com Phelps, com Usain Bolt e com Isinbayeva. Quanta falta de educação, hein, atletas?! Não bateram, nem superaram, mas humilharam qualquer limite conhecido até então pelo ser humano. E este “desrepeito” chega a deixar muitas pessoas em dúvida sobre a possibilidade destes atletas fazerem uso de substâncias não autorizadas
E por falar em educação e vergonha… Se lembram do atleta sueco? O que se desfez e desmereceu a sua medalha de bronze? Pois éé.. Faltou vergonha e humildade! Também faltou vergonha a imprensa e a equipe de futebol masculino por idolatrarem um futebol medíocre e pouco convincente que já se repete há um tempo. Também, não é por menos, de uma equipe que foi mal convocada, mal treinada, mal escalada e mal posicionada, o que se pode esperar? É como imaginar um jogo de xadrez com apenas peões e bispos, e ainda se deslocando de forma incoerente e irregular no tabuleiro. Mas, também, sejamos justos, não se pode esperar nada de uma equipe em que o técnico nunca foi treinador. Talvez, melhor seria, também, se o Bernardinho cedesse seu cargo ao Giba!
Também faltou vergonha a maior parte da imprensa por ter a coragem de, em meio a uma Olimpíada, não divulgar de forma justa todas as modalidades que disputamos. Por acaso alguém sabe dizer o nome de algum mais de um (a) atleta do tênis de mesa, do nado sincronizado ou do tiro? E da luta Greco-romana e do soft-bol? Tem algum(a)? Pois é.. Mas os nomes dos atletas do futebol masculinos colorem programas, jornais e propagandas. Além disso, colocaram em cheque o mérito de atletas por errarem, falharem e/ou por não trazerem uma medalha em suas modalidades. Foi assim na ginástica com Daiane, Diego e Jade, foi assim com Thiago Pereira na natação, no judô e em diversas outras modalidades. Foi e tem sido assim há anos…Será que melhorar a posição nacional e os seus próprios resultados não bastam para demonstrar o progresso de um atleta? Que vergonha!
Vergonha também pela CBF não perceber que a seleção feminina de futebol, há muito, transmite melhores perspectivas de resultados do que a masculina e, ainda assim, os atletas desta (masculina) receberem salários inquantificáveis, enquanto, no feminino, a realidade é totalmente diferente! O incentivo, a captação de atletas e toda estrutura ainda são falhos.
E por falar em falha…Por onde anda o COB? Poucos sabem, mas a maratonista brasileira nesta olimpíada teve que correr com o uniforme emprestado porque o COB estava muito ocupado com as estrelas e os estrelas do futebol! Tadinha! Além disso, mesmo sabendo das condições de uma das atletas do vôlei de praia, a atleta reserva só foi enviada de última hora; chegou cansada e não conseguiu o que jogar como poderia. Basta lembrar de que no judô a história foi diferente e isso nos trouxe uma medalha.
Pois, bem, meus amigos, lhes direi a verdade. Após pensar tanto, não sei ao certo se, falta ou sobra vergonha. Certo é que, os principais dirigentes do esporte nacional estão longe de poderem se promover a partir de uma medalha de ouro de Cielo ou da honrosa e valiosa prata do futebol feminino. Isto porque criam uma estrutura frágil e que não dá condições para que o atleta seja, simplesmente, atleta. É preciso se apoiar e se dividir em outras funções e profissões para poder manter vivo o sonho de ser vitorioso. Com certeza as falhas e deficiências não são de nossos atletas, pois, dentro de suas limitações e condições fazem o impossível. Um impossível que não percebo que grande parte dos dirigentes faz pelo esporte. E acho impressionante que não encontrem estas suas vergonhas ao perceber que levaram o país a ficar atrás de “potências do esporte” como Geórgia, Etiópia e Zimbábue em um quadro de medalhas olímpico. Não porque desmereço estes países, mas como países que passam por guerras civis conseguem um feito destes? Está claro, a falta de vergonha destes dirigentes é proporcional a suas respectivas competências. Quem sabe acreditem que trazer os Jogos para o Rio não é tão importante como melhorar os investimentos nos esportes (inclusive nos esportes individuais), ou como investir na educação e na segurança! Ironicamente, em plenos Jogos Olímpicos, realizados em Pequim, chineses foram seqüestrados no Rio. Talvez a discussão sobre o escudo da CBF nas camisas dos atletas de futebol tenham ofuscado os olhos do Governo e do COB com relação a tudo isso! Ou, simplesmente, a “Competência” peculiar a “Organização” destes Jogos seja contagiosa. Ou, quem sabe, contagiosa não seria a nossa?
Depois de ler tudo isso provavelmente você está imaginando que este autor é alguém que gosta e não se identifica com os esportes, certo? Bom, errado! Meu nome é Matheus Pinto Gomes, sou Educador Físico e atuo como professor e treinador de Voleibol & Mestre de Taekwondo!