Posts de Maio, 2009

Disciplina é liberdade. Excesso de liberdade é suicídio!

Maio 27, 2009

 

Kaka

                O exemplo da Fórmula 1 é inusitado e gera opiniões adversas, mas nos leva a criar um paralelo com o futebol.

Veja o caso Kaká, por exemplo. Na época da polêmica e histórica oferta do Manchester City pelo jogador brasileiro o ex-atacante inglês Alan Shearer afirmou que, apesar de ser um dos melhores jogadores do mundo não vale os 100 milhões de euros que o Manchester City ofereceu por seus direitos. Para Shearer a transferência de um atleta deve ser influenciada pela possibilidade de conquistar títulos e não pelo dinheiro. Visão interessante e coerente. Não foi por menos que o presidente da UEFA, Michel Platini, na época também se mostrou inconformado com a oferta.

Segundo Platini, gastos como estes, feitos pelo donos do Manchester City, poderão deixar o clube administrativamente inviável futuramente; e, se um clube não conseguir lidar com essas cifras milionárias ele poderá ser banido das competições. Portanto, para o presidente da UEFA, este tipo de medida visa proteger o futebol.

Curiosamente, após este episódio e a ameaça do órgão europeu, as grandes transações passaram a ser destaque no mundo do futebol árabe e/ou asiático, onde sobram milionários. Para e pense quantos atletas e treinadores brasileiros, por exemplo, se destacaram e em seguida se transferiram para clubes de países como Catar e Uzbequistão. Ao mesmo tempo é curioso como esta escolha parece acompanhar a possibilidade de não poder ser mais convocado para a seleção do Brasil. Dando ainda a entender que quem a convoca só possui olhos para os palcos europeus e brasileiros. Por isso vários motivos podem ter influenciado estas transferências. Ainda assim, a questão é que, neste caso, algo mudou no mundo da bola.

 Mas quanto aos valores envolvidos nas transações do futebol é possível ainda utilizar outro exemplo, o de uma criança. É sabido que se crescer sem seus responsáveis mostrarem-na os limites pelos quais deverá se nortear qualquer criança poderá se iludir e acabar achando que tudo pode. Assim se tornará uma criança de difícil relação, egocêntrica e gananciosa. Atualmente, na Fórmula 1, a falta de regras para esta concorrência ameaça a credibilidade (inclusive comercial) da categoria nos próximos anos. Sem dúvidas foi o excesso de liberdade que deu força para que as grandes escuderias se vissem hoje no direito de exigir as condições de seus interesses. Portanto, mesmo se tratando de um sistema de concorrência (base do capitalismo), com relação ao futebol, por enquanto só é possível concluir que os grandes órgãos da modalidade flertam com o perigo da falta regras e limites para nortear quaisquer transações oficiais.

Fórmula 1

Maio 25, 2009

Circo de Interesses ameaça Mundial de 2010

             Segundo o site Lancenet, contrariando as demais grandes da Fórmula 1, a Williams se inscreveu nesta segunda-feira (dia 25/maio) para a temporada de 2010 da categoria. As escuderias teriam acordado não se inscreverem caso a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) não revisse as regras para o próximo Mundial. A FIA estipulou um teto orçamentário máximo de R$ 128 milhões por ano por equipe e quem quisesse gastar mais que isso teria uma série de limitações técnicas. A decisão da Williams teria se dado em virtude de julgarem a importância de honrarem um contrato com a Formula One Management (FOM) e a FIA para participar do Mundial de 2008 a 2010. A equipe afirma ter sido paga para participar e se sentir moral e legalmente obrigada a demonstrar que irá manter seu compromisso de participar da Fórmula 1.

             A medida de um teto orçamentário máximo faz parte de um pacote de medidas apresentado pela FIA para aumentar a competitividade dentre as escuderias e permitir uma melhor preparação dos setores financeiro e administrativo da categoria diante da atual crise econômica mundial e de possíveis futuras oscilações da economia mundial, o que afastaria novamente os investidores. Curiosamente, dentre estas medidas está o uso de um motor único para todas as equipes a partir de 2011. Para Di Montezemolo (presidente da Ferrari), o motor único vai contra os princípios de concorrência e desenvolvimento tecnológico do automobilismo esportivo pois “é impensável que construtores como Ferrari, Toyota, Mercedes, Honda, Renault e BMW aceitem colocar sua marca em máquinas feitas por outros”. Do ponto de vista publicitário esta medida também poderia não ser muito interessante, pois o que atrai o investidor é justamente a possibilidade de ver sua marca se destacar perante outras e não a igualdade. Afinal, qual grande empresa gostaria de patrocinar uma equipe com as mesmas condições de vencer que a patrocinada por um possível concorrente de menor expressão no mercado?

             A Ferrari chegou a acionar a Justiça Francesa contra as medidas impostas pela FIA, mas não obteve sucesso. Revoltadas as equipes ameaçaram não se inscreverem para 2010. Preocupado Bernie Ecclestone, dono dos direitos comerciais da categoria, chegou a declarar que não é de seu interesse ver a Ferrari fora da categoria a partir do ano que vem. Com certeza esta preocupação está diretamente relacionada ao afastamento de investidores diretos e indiretos que a saída da Ferrari e/ou de outras equipes de maior expressão possa ocasionar. O prazo para as inscrições das equipes em 2010 termina em 29 de maio mas, Ecclestone começa a dar sinais de que este prazo poderá ser estendido até que as coisas se resolvam.

Bola Murcha!

Maio 6, 2009

Rainha e comentarista!

hortencia

                A nova diretora do departamento feminino da Confederação Brasileira de Basquete, Hortência, aproveitou a cerimônia de posse do presidente Carlos Nunes, ontem (dia 05/maio), no Rio de Janeiro, para manifestar seus votos de boa sorte ao novo comandante da CBB e, de quebra, fez uma infeliz comparação!

                A rainha disse que desejou sorte ao novo presidente e afirmou que “o basquete está precisando. Sorte é trabalho, mas é preciso ter estrela”. Provavelmente, seu posto como comentarista na Globo a lembrou que seria importante explicar o que queria dizer, por isso definiu sorte como equivalente a trabalho. Curiosa foi a forma que encontrada pela diretora para definir “estrela”.

                Segundo a matéria do jornalista Adalberto Leister Filho, pela Folha de são Paulo, a ex-jogadora disse que “Rubinho Barrichello, por exemplo, tem estrela, apesar de muitos dizerem que não. O problema é que a estrela dele fica na bunda. Quando ele senta no cockpit, ela apaga”, completou a nova responsável pelo departamento feminino da CBB, gerando gargalhadas dos dirigentes presentes.

                Ainda que competência profissional não esteja ligada a fama e a prestígio (se é que é isso que a ex-jogadora imaginou ao dizer “é preciso ter estrela”), ficaram no ar duas questões: Primeira, será que o novo acordo ortográfico da língua portuguesa também levou a mudança de significado de algumas palavras? Ou foi contagiada pelas famosas pérolas de um dos comentaristas de televisão com o qual tem convivido? Bem, certeza só fica uma, independentemente dos resultados de Barrichello na pista ao longo de sua carreira, é provável que Hortência tenha se esquecido de que os seus pensamentos devem ser filtrados pela exigência ética e profissional presentes no meio público e esportivo nos quais está inserida há anos. Principalmente por se tratar de uma dirigente.

Pisou na bola!

Maio 4, 2009

leao-p1

               No intervalo da segunda partida da final do campeonato mineiro o treinador Emerson Leão perdeu a cabeça e invadiu o campo. Leão se mostrou revoltado com a arbitragem e agrediu verbalmente a bandeira Katiuscia Mendonça e ainda a chamou de covarde. Curioso este tipo de conduta vir de um profissional que cobra tanto de seus atletas postura e disciplina. Principalmente ele reclamara sem razão de lances que as imagens da televisão se mostraram a favor do trio de arbitragem.

Provavelmente, o treinador ficou abalado com a goleada sofrida na primeira partida da final e com a derrota para o Vitória pela Copa do Brasil e percebeu que havia ficado difícil da equipe atingir seus objetivos. Talvez seja mais simples procurar “boi de piranha” do que assumir as falhas de seu grupo. Não foi por menos que a atitude de alguns jogadores do Atlético pareceu refletir a postura, ou a falta dela, de seu comandante.

Independentemente das derrotas não é preciso ser atleticano para perceber que, mesmo sem o título mineiro, a equipe do Galo demonstrou uma melhora em relação ao ano passado. Mas, de fato, Leão pisou na bola. Nada justifica o desrespeito.

Também, na próxima, talvez seja interessante que coloque uma TV no banco de reservas, assim, todos acompanharão os lances com maior clareza, inclusive ele. Leão sai e a diretoria atleticana rapidamente contratou seu substituto, Celso Roth. Ou teria Leão o substituído? Afinal, desde a contratação de Leão a diretoria do Clube não havia deixado claro que a sua preferência era por Celso Roth?