
O exemplo da Fórmula 1 é inusitado e gera opiniões adversas, mas nos leva a criar um paralelo com o futebol.
Veja o caso Kaká, por exemplo. Na época da polêmica e histórica oferta do Manchester City pelo jogador brasileiro o ex-atacante inglês Alan Shearer afirmou que, apesar de ser um dos melhores jogadores do mundo não vale os 100 milhões de euros que o Manchester City ofereceu por seus direitos. Para Shearer a transferência de um atleta deve ser influenciada pela possibilidade de conquistar títulos e não pelo dinheiro. Visão interessante e coerente. Não foi por menos que o presidente da UEFA, Michel Platini, na época também se mostrou inconformado com a oferta.
Segundo Platini, gastos como estes, feitos pelo donos do Manchester City, poderão deixar o clube administrativamente inviável futuramente; e, se um clube não conseguir lidar com essas cifras milionárias ele poderá ser banido das competições. Portanto, para o presidente da UEFA, este tipo de medida visa proteger o futebol.
Curiosamente, após este episódio e a ameaça do órgão europeu, as grandes transações passaram a ser destaque no mundo do futebol árabe e/ou asiático, onde sobram milionários. Para e pense quantos atletas e treinadores brasileiros, por exemplo, se destacaram e em seguida se transferiram para clubes de países como Catar e Uzbequistão. Ao mesmo tempo é curioso como esta escolha parece acompanhar a possibilidade de não poder ser mais convocado para a seleção do Brasil. Dando ainda a entender que quem a convoca só possui olhos para os palcos europeus e brasileiros. Por isso vários motivos podem ter influenciado estas transferências. Ainda assim, a questão é que, neste caso, algo mudou no mundo da bola.
Mas quanto aos valores envolvidos nas transações do futebol é possível ainda utilizar outro exemplo, o de uma criança. É sabido que se crescer sem seus responsáveis mostrarem-na os limites pelos quais deverá se nortear qualquer criança poderá se iludir e acabar achando que tudo pode. Assim se tornará uma criança de difícil relação, egocêntrica e gananciosa. Atualmente, na Fórmula 1, a falta de regras para esta concorrência ameaça a credibilidade (inclusive comercial) da categoria nos próximos anos. Sem dúvidas foi o excesso de liberdade que deu força para que as grandes escuderias se vissem hoje no direito de exigir as condições de seus interesses. Portanto, mesmo se tratando de um sistema de concorrência (base do capitalismo), com relação ao futebol, por enquanto só é possível concluir que os grandes órgãos da modalidade flertam com o perigo da falta regras e limites para nortear quaisquer transações oficiais.

