Aproveitando a questão levantada no fim do artigo anterior sobre a extinção da equipe adulta de voleibol do Osasco é possível se fazer algumas reflexões sobre futuro do esporte de alto nível brasileiro.
Inicialmente é preciso ressaltar que a proposta de inclusão e formação de cidadãos por meio do esporte é relevante e indiscutivelmente essencial. Ainda assim, a extinção da atual segunda melhor equipe da Superliga feminina coloca em xeque o futuro do esporte de alto nível em nosso país. Além disso, já existem rumores de outros possíveis términos equipes do circuito nacional, a maioria devido ao encerramento do contrato com os patrocinadores e à dificuldade de se encontrar novos interessados.
Nesta última edição da Superliga, por exemplo, já foi possível se observar a dificuldade apresentada pela equipe feminina do Minas Tênis Clube, uma das equipes de maior história do nosso voleibol, em encontrar um patrocinador. Para não correr o risco de ficar de fora da edição 2008-2009 do campeonato nacional o Minas Tênis buscou reforços mais baratos e reforçou o grupo com sua equipe juvenil. Este fato gerou um aumento na quantidade de partidas realizadas por estas atletas juvenis e pode ter sobrecarregado algumas delas, como a ponteira Ivna Marra. O destaque da equipe que sofreu uma lesão no joelho, precisou operá-lo e desfalcou o grupo do Minas durante boa parte da competição.
É nestas horas que é preciso parar e avaliar a estrutura administrativa do esporte em nosso país e levantar diversas questões relevantes a este processo, independentemente de modalidade. É possível, e é essencial, questionar medidas tomadas pelos principais órgãos e dirigentes do esporte, como fez a “ESPN” em relação ao COB há pouco tempo, ou o como fez o próprio “Mathias – O Recordista” na época dos Jogos de Pequim. Com certeza estes assuntos nos remetem também a como tem se dado a aplicação das verbas (principalmente públicas) dentro dos setores de educação e esporte e, consequentemente, nos remetem a diversos episódios de corrupção, desvio de verbas e/ou mau investimento por parte de políticos brasileiros. Fato comprovado e denunciado pela revista “Veja”, de 22 de abril passado. A edição apresenta uma matéria segundo a qual deputados tem utilizado dinheiro público para gastos particulares. E enquanto a “zorra” continua no Congresso e em outras esferas administrativas do setor público, diversas áreas sofrem as conseqüências, como é o caso do esporte nacional. Ou vocês acham que a saga dourada de Cielo em Pequim é mérito do COB?
