“A ética é daquelas coisas que todo mundo sabe o que são, mas que não são fáceis de explicar, quando alguém pergunta”, disse, sabiamente, o Sr. Álvaro Valls no livro “O que é ética”, 1993. A ética costuma ser confundida com a moral, inclusive pela sua origem. A palavra “ética” deriva do grego “ethos”, palavra a qual pode adquirir significados distintos, costumes ou caráter, de acordo com as suas duas diferentes pronúncias. A definição atual de ética está ligada ao sentido de caráter e dificilmente envolve regras e normas. A Filosofia considera o comportamento ético como “aquilo que é bom” para o indivíduo e para a sociedade, e como o conceito de bondade é relativo e contestável estabelece-se um dilema, o qual cria subsídios para classificar a ética como uma ciência de fundamentação teórica, apenas. Enquanto a moral diz respeito aos costumes e representa um conjunto de normas, princípios e valores os quais fornecem referências ao comportamento do indivíduo de acordo com o grupo no qual está inserido. Desta vez, existem regras previamente estipuladas a serem seguidas e que delimitam o que é bom e o que é ruim no comportamento dos indivíduos para uma convivência civilizada. Por isso é possível afirmar que a moral é normativa. Porém, costumam ser confundidas por se tratarem de expressões sinônimas do ponto de vista etimológico, devido à origem grega e, também, a tradução oriunda do latim.
Assim como o homem, por viver em sociedade e conviver com outras pessoas, deve estar atento e analisar bem suas atitudes frente aos demais homens, qualquer tipo de profissional convive com pessoas diferentes em seu dia a dia de trabalho e deve refletir a respeito desta questão com freqüência; ainda que o código de ética de suas respectivas profissões não se mostre contrário a alguns determinados tipos de comportamentos. Logo, com os profissionais da área desportiva não deveria ser diferente. Além disso, deve se considerar que, por serem consideradas pessoas públicas, muitas vezes, as repercussões de suas falas e de suas posturas possivelmente prejudicarão outros indivíduos inseridos naquele mesmo meio.
Como alguns exemplos, podemos citar alguns episódios atuais protagonizados pelo futebol. Recentemente, o vice-presidente do Botafogo deu algumas declarações criticando alguns de seus atletas e apontando falhas e divisões no grupo. Em outro episódio, na vitória do Vasco por 4 a 2 frente à equipe do Goiás e dentro da casa do adversário, após a partida, o atacante Edmundo criticou publicamente a postura de um de seus companheiros em um determinado momento do jogo. Agora foi a vez de Marcos, goleiro e capitão do Palmeiras, expor seu grupo ao reclamar da falta de qualidade dos reservas e do erro de Martinez no primeiro gol sofrido pelo verdão após a derrota para o Fluminense, no último dia 25, no “Maraca”.
Portanto, vamos esclarecer um detalhe, não existe norma formal que proíba este tipo de comportamento, porém é importante vislumbrar até que ponto estas declarações podem ter atingido as equipes em questão? Será que poderão influenciar seus resultados seguintes? Não é preciso bola de cristal. Basta analisar a queda de desempenho do Botafogo a partir da vigésima segunda rodada (3 vitórias, 3 empates e 4 derrotas).
Sendo assim, se algum atleta ou dirigente ainda tem dificuldades para entender os princípios da ética e compreender que ser ético é fazer o que te beneficie, mas que não prejudique o outro, vamos que facilitar as coisas e repetir um velho ditado é muito sábio e útil ”roupa suja, se lava em casa”!
Para finalizar, um exemplo não menos importante. Há algumas semanas o renomado Alex Ferguson, técnico do Manchester United, criticou a postura da imprensa ao se referir ao técnico do Chelsea, Luís Felipe Scolari, e ainda se proclamou mais experiente e mais vencedor do que o treinador brasileiro. Ó óbvio que ambos estão inseridos em um mesmo ambiente profissional e que faltou ética nestas falas de Ferguson, isso mesmo, faltou de caráter ao autoproclamado “Eu sou o bom”. Por acaso é costume médicos ou advogados criticarem publicamente companheiros de profissão? Claro que não! Porque, independentemente da índole e do caráter do outro, estão sob o juramento de um código de ética. Bom, mas neste caso, acredito ser desnecessário nos aprofundar. O tempo e a capacidade dos treinadores se encarregarão do melhor desfecho. Afinal, o Manchester United do “Sr eu sou o bom” amarga a sexta colocação no campeonato inglês enquanto o Chelsea, do “apenas campeão mundial” Luís Felipe Scolari, é o segundo colocado e, até o momento, só perdeu para o atual líder por um magro 1 a 0.




