
Deixando de lado o fator cultural exercido pela modalidade no nosso país é preciso analisar a importância financeira de uma Copa no Brasil. O futebol é uma importante atividade econômica nacional e, apesar de ainda engatinhar no campo do Marketing, é certo que movimenta diversos outros setores seja de forma direta ou indireta. Por isso sediar uma Copa pode ser importante, mas, após definidas as 12 cidades que serão sedes da Copa de 2014, é preciso que algumas reflexões sejam feitas. Primeiramente, corroborando com a ideia do jornalista Mauro Cezar Pereira, da ESPN, é possível se afirmar que “a escolha foi política”, por isso preocupa, ou deveria preocupar toda a sociedade. Afinal, como no Pan do Rio e como na Cidade da Música, boa parte do evento será bancada pelos cofres públicos. E é preciso um modelo de gestão dotado de estratégias de investimento planejadas e seguras para evitar erros e corrupção e, sendo assim, os gastos excessivos e/ou desnecessários.
Também por se tratar se uma escolha política fica um grande questionamento. Nem todas as sedes escolhidas possuem um futebol de nível profissional. Portanto, como serão mantidos os estádios nestas cidades? Vejam o caso de Manaus, que para candidatura solicitou e recebeu o apoio de duas grandes empresas com sedes na Capital Amazonense, será que estas empresas estão interessadas em manter a estrutura exigida pela FIFA? Se a existência de um Engenhão ou mesmo a de um Complexo como o Maria Lenk já é revoltante, imaginem os novos “acampamentos de moscas” que a Copa poderá nos trazer! Afinal, se existe alguma fórmula para garantir retorno financeiro a quem tenha dinheiro para investir nestes novos estádios, que ela seja divulgada, porque a experiência com o Pan revelou que os órgãos públicos ainda a desconhecem!
Por fim, será que as reformas planejadas para os estádios já existentes são viáveis? Ou o ideal seria a demolição para a construção de algo mais moderno e mais barato, como fizeram na Inglaterra há alguns anos? Sem contar nos problemas estruturais que, talvez, estas reformas poderão mascarar. Ou estas “plásticas” pretendidas irão tornar e manter os estádios mais seguros e confortáveis após a Copa?
E as exigências de melhorias nas estruturas da cidade, como transporte, serão solucionadas? Ou será criada uma malha de transporte capaz apenas de ligar as áreas nobres nas quais estão os hotéis às proximidades dos estágios?
Portanto, é possível se afirmar que de garantia, por enquanto, tem-se apenas a Copa e os nomes das sedes; principalmente porque a disputa política agora será entre as cidades sede para ganharem o direito de escolher ou de influenciar quais os jogos serão realizados em seus respectivos gramados.